quarta-feira, 20 de junho de 2012

Acusado de chacina contra sem-terras em Minas é preso no RS




O criminoso se passou por um interessado em ingressar no movimento para depois armar uma emboscada. Foto: PC-RS/ Divulgação O criminoso se passou por um interessado em ingressar no movimento para depois armar uma emboscada
Policiais civis gaúchos e mineiros, em uma investigação conjunta, prenderam na noite de terça-feira em Gravataí, região metropolitana de Porto Alegre (RS), um homem acusado de promover uma chacina em Uberlândia (MG), onde teria assassinado três integrantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), no dia 24 de março. A motivação do crime que ficou conhecido como Chacina de Miraporanga seria um ato de vingança por uma suposta denúncia feita pelos sem-terras.
De acordo com o Departamento de Investigações Criminais da capital gaúcha, Rodrigo Cardoso Fric, 25 anos, conhecido como Gauchinho, foi até o assentamento 21 de Agosto, na Fazenda São José dos Cravos, em Prata, junto com um comparsa identificado apenas como Rafael, que já está preso em Minas Gerais.
Lá, eles se passaram por pessoas interessadas em ingressar no MLST e também na aquisição de um lote do assentamento. Para isso, participaram inclusive de um jantar com uma das vítimas, dormiram no assentamento e colheram informações sobre a rotina dos integrantes para, posteriormente, fazer uma emboscada.
No dia seguinte, ainda segundo a Polícia Civil do RS, Rafael e Rodrigo saíram de carro, alegando que precisariam trocar um dos pneus do veículo. Os dois então ficaram de tocaia em uma estrada vicinal, a Rodovia MG-455, onde passaria o carro das vítimas. Por volta das 9h, quando os três sem-terra passaram, o automóvel dos bandidos trancou a passagem, Gauchinho desceu e atirou nos integrantes do movimento.
A coordenadora do assentamento Rio dos Peixes, Clestina Leonar Sales Nunes, 47 anos, estava com seu neto no colo no momento da execução. A criança assistiu a tudo e foi abandonada pelos criminosos. Ela passou a vagar perdida pela estrada e foi encontrada pelas primeiras testemunhas do crime. Além da avó da criança, foram assassinados Valdir Dias Ferreira, 39 anos, e Milton Santos Nunes da Silva, 52 anos.
Em 2009, a Polícia Civil de Minas Gerais apreendeu cerca de 300 kg de maconha vindos do Mato Grosso, próximo à região do assentamento. Os agentes prenderam o responsável pelo carregamento, conhecido como Zé Roleta, junto com Rodrigo. Zé Roleta, então, passou a acreditar que os três integrantes do MLST teriam o denunciado aos policiais, e por isso planejou a chacina. Ele teria pagado cerca de R$ 7 mil para Rafael e Gauchinho executar o crime.
Após matar os sem-terras, Rodrigo fugiu de Minas para o Rio Grande do Sul, sua terra natal. Ele estava morando com a mãe desde então, em Gravataí. Após sete dias de uma investigação em conjunto, as polícias civis dos dois Estados conseguiram identificar e capturar Rodrigo. Ele assumiu ser o autor dos disparos e deve ser levado de volta para Minas Gerais
Outros cinco suspeitos de envolvimento na chacina já estão presos. Eles teriam participado do crime desempenhando diferentes funções, como mandante, planejando e levantando informações para a execução. A polícia mineira ainda procura a arma utilizada. 

Fonte: terra

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